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Algumas das Prioridades dos Conselhos de Administração para 2025: Inovação, Riscos e Inteligência Artificial

Introdução

A Inteligência Artificial (IA) tem desempenhado um papel central na transformação digital das empresas, impactando a análise de dados, a automação de processos e a tomada de decisões estratégicas. No contexto da governança corporativa, sua adoção oferece tanto oportunidades quanto desafios, exigindo um equilíbrio entre inovação e responsabilidade.

Os Conselhos de Administração precisam considerar aspectos como riscos regulatórios, vieses algorítmicos e governança ética para garantir uma implementação eficaz e segura da IA. Diante desse cenário, o artigo explora as principais prioridades dos Conselhos para 2025 e como a tecnologia pode ser incorporada estrategicamente à governança empresarial.

Temas e prioridades

Os Conselhos de Administração enfrentam desafios crescentes e precisam tomar decisões
estratégicas baseadas em dados e análises. De acordo com um estudo do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), os principais temas que os conselhos pretendem discutir com mais frequência em 2025 são:

  • Inovação (56,7% dos respondentes).
  • Avanço da Inteligência Artificial (55,4%).
  • Gestão de Riscos (51,9%).

O papel dos Conselhos de Administração e Consultivos ganha ainda mais importância. Associando as prioridades de 2025 com alguma das suas funções, podemos destacar:

  • Gestão de Riscos e Compliance: Apoiar a identificação e mitigação de riscos estratégicos e operacionais.
  • Monitoramento de Performance: Acompanhar a execução do planejamento estratégico e sugerir melhorias nos processos de avaliação de desempenho organizacional.
  • Inovação e Transformação Digital: Avaliar novas oportunidades de crescimento e modelos de negócios, sugerindo a adoção de novas ferramentas e metodologias ágeis.

Além da necessidade de inovação e transformação digital, os Conselhos precisam alinhar suas decisões a tendências globais para garantir competitividade. Segundo a “Big Four” EY, em sua publicação ‘Prioridades dos Conselhos de Administração para 2025 nas Américas’, Tecnologia e Inovação são destacadas como áreas-chave para avançar com confiança. Esse dado reforça a importância de integrar a IA não apenas como ferramenta operacional, mas como elemento estratégico na governança. O artigo ressalta: “Notavelmente, dois terços dos conselheiros que responderam à pesquisa acham que a Administração deve priorizar a IA para capturar oportunidades de mercado e de ganho de eficiência interna, em detrimento da mitigação de riscos.”

A Importância da Tecnologia e da IA na Governança Corporativa

Diante de um cenário de inovação acelerada, a adoção de tecnologia torna-se um fator essencial para aprimorar a eficiência e a segurança nas decisões empresariais. Para acompanhar essa nova realidade, a governança corporativa precisa evoluir, assegurando que as soluções tecnológicas sejam aplicadas de forma responsável e estratégica. O Código das Melhores Práticas do IBGC enfatiza a importância da integração dos controles internos para uma supervisão eficaz – e a tecnologia é o alicerce que viabiliza essa integração.

Ainda dentro do tema de controles internos, o mesmo estudo da EY citado anteriormente destaca a preocupação com a eficiência na supervisão e na deliberação das estratégias: “Ter as informações certas e dedicar a quantidade certa de tempo a esses tópicos é fundamental, porque a conversa que muitos Conselhos estão tendo sobre esses temas está mudando. As discussões entre os conselheiros estão se afastando de ‘o que é isso?’ em direção à identificação de oportunidades estratégicas com ROI claro.”

Abaixo segue alguns exemplos práticos para ilustrar a importância da tecnologia e da inteligência artificial na governança corporativa:

  • Automação de Processos de Conformidade: A IA monitora e analisa grandes volumes de dados regulatórios, garantindo que as empresas cumpram normas vigentes e evitem penalizações.
  • Uso de IA na Análise de Riscos: Plataformas preditivas identificam padrões de risco em tempo real, auxiliando conselhos na tomada de decisões estratégicas mais informadas.
  • Soluções de Cibersegurança Inteligente: Algoritmos de aprendizado de máquina aprimoram a detecção e resposta a ameaças cibernéticas, protegendo dados sensíveis e sistemas internos.
  • Tomada de Decisão Baseada em Dados: Ferramentas de big data fornecem insights detalhados sobre o desempenho do negócio, permitindo decisões estratégicas mais precisas e embasadas.
  • Aprimoramento da Auditoria Interna: Softwares com IA realizam auditorias contínuas e automatizadas, detectando inconsistências e possíveis fraudes de maneira mais eficiente.
  • Uso de Chatbots e Assistentes Virtuais: Empresas utilizam assistentes virtuais para fornecer resumos executivos e alertas estratégicos, otimizando reuniões e decisões dos conselhos.
  • Governança ESG Baseada em Tecnologia: A IA facilita o monitoramento e a divulgação de indicadores ESG, garantindo transparência e confiabilidade para investidores e stakeholders.

Essa temática é tão relevante que, recentemente, a FGV EAESP, em parceria com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), organizou um evento para debater os desafios da inteligência artificial na governança corporativa. O encontro destacou a necessidade de equilibrar inovação tecnológica com práticas éticas. Dada sua importância, vale a pena acompanhar de perto as principais entidades de referência no assunto, como as mencionadas.

Desafios da IA na Governança Corporativa: Transparência, Viés, Ética e Regulamentações

A ascensão da Inteligência Artificial (IA) na tomada de decisões estratégicas impõe desafios inéditos aos Conselhos de Administração. Entre as principais preocupações estão a transparência dos algoritmos, a mitigação de vieses e a governança ética da tecnologia. Confiar apenas em auditorias tradicionais em um mundo digitalizado é como tentar encontrar uma agulha no palheiro manualmente. A IA automatiza esse processo, detectando falhas e fraudes antes que se tornem problemas financeiros graves.

Os Conselhos devem assegurar transparência nas decisões automatizadas com auditorias contínuas e governança sólida. A falta dessas práticas pode levar a algoritmos opacos, comprometendo a clareza, a confiança dos stakeholders e a conformidade regulatória. Segurança e privacidade dos dados são preocupações centrais, dada a dependência da IA de grandes volumes de informações sensíveis. Exemplos práticos incluem plataformas que tornam previsões e recomendações mais transparentes, como soluções de grandes empresas tecnológicas. Relatórios claros ajudam a mitigar riscos regulatórios e fortalecer a confiança.

Para mitigar vieses, é fundamental revisar e testar algoritmos regularmente, garantindo que distorções não comprometam decisões estratégicas. O uso de dados diversos e a supervisão humana são indispensáveis para assegurar imparcialidade e equidade. Um exemplo disso é a Microsoft, que criou um comitê de ética em IA dedicado à revisão de modelos e à redução de vieses algorítmicos em produtos de machine learning.

A governança ética da IA exige um compromisso claro com princípios como responsabilidade, segurança e impacto social. Os Conselhos devem estabelecer diretrizes rígidas para o uso da tecnologia, garantindo que a IA esteja alinhada aos valores corporativos e às expectativas da sociedade. Instituições financeiras estão adotando frameworks rigorosos para garantir que soluções de IA sigam princípios éticos e regulatórios, alinhando-se às melhores práticas do mercado.

A regulação sobre IA exige que empresas sigam normas como a LGPD, a GDPR e o AI Act da UE, que impõem diretrizes rígidas sobre privacidade e segurança. O descumprimento pode gerar sanções, prejuízos financeiros e perda de credibilidade, tornando essencial a adoção de medidas preventivas para garantir conformidade e mitigar riscos.

Para mitigar esses desafios, algumas empresas líderes já implementam iniciativas estruturadas para garantir o uso ético da IA. A Microsoft, por exemplo, estabeleceu um comitê de ética para revisar modelos e reduzir vieses em produtos de machine learning. Da mesma forma, a Data & Trust Alliance reúne grandes corporações comprometidas com auditorias contínuas, buscando assegurar que a inteligência artificial seja empregada de maneira justa e responsável.

O futuro da governança passa pela IA – mas é a governança responsável que garantirá um futuro sustentável para as empresas.

Preparação dos Conselhos para a Regulação da IA no Brasil

A adoção da IA impõe desafios à governança corporativa, exigindo atenção dos conselhos.

A governança de IA requer práticas estruturadas para garantir transparência, conformidade regulatória e mitigação de riscos. Isso envolve o Monitoramento Regulatório, acompanhando legislações como o Marco Legal da IA no Brasil e o AI Act da UE, além da adoção de Frameworks de Governança para diretrizes éticas e explicabilidade. Capacitação e Compliance permitem que Conselheiros compreendam impactos e obrigações, enquanto Supervisão e Auditoria Contínua asseguram conformidade com revisões periódicas. A seguir, alguns exemplos práticos para ilustrar esses pilares:

  • Monitoramento Regulatório
    • Exemplo 1: Uma empresa financeira que utiliza IA para análise de crédito precisa monitorar as diretrizes do AI Act da União Europeia para garantir que seus modelos de decisão sejam transparentes e não discriminatórios. Caso contrário, pode enfrentar sanções regulatórias.
    • Exemplo 2: Uma startup brasileira de reconhecimento facial acompanha o Marco Legal da IA no Brasil para garantir que sua tecnologia respeite regras de privacidade e consentimento do usuário.

  • Adoção de Frameworks de Governança de IA
    • Exemplo 1: Um hospital que implementa IA para diagnósticos médicos adota o framework de IA Responsável da OECD, assegurando que seus modelos sejam auditáveis, explicáveis e livres de vieses que possam comprometer decisões clínicas.
    • Exemplo 2: Empresas do setor tecnológico têm implementado comitês de ética para avaliar o impacto social da IA, alinhando-se a diretrizes internacionais como o NIST AI Risk Management Framework.

  • Capacitação e Compliance
    • Exemplo 1: Um conselho de administração de uma grande varejista implementa treinamentos sobre IA Generativa, explicando os riscos de deepfakes e desinformação para proteger a reputação da marca.
    • Exemplo 2: Uma empresa de tecnologia exige que seus líderes passem por um curso de IA e compliance antes de aprovar novos projetos baseados em aprendizado de máquina.

  • Supervisão e Auditoria Contínua
    • Exemplo 1: Um banco adota auditorias trimestrais para revisar algoritmos de precificação de seguros e garantir que não haja discriminação racial ou socioeconômica nas decisões automatizadas.
    • Exemplo 2: Uma plataforma de recrutamento baseada em IA realiza revisões periódicas para detectar viés algorítmico, garantindo que seu sistema não privilegie ou discrimine candidatos com base em características irrelevantes.

Conclusão

A rápida evolução da Inteligência Artificial impõe desafios e oportunidades inéditos para os Conselhos de Administração. Para se manterem relevantes e eficientes, os Conselhos devem agir estrategicamente, garantindo que a IA seja utilizada de forma ética, segura e alinhada às melhores práticas de governança corporativa.

Para isso, recomenda-se que os Conselhos adotem uma abordagem proativa, estruturando diretrizes claras para governança de IA, investindo na capacitação contínua dos seus membros e implementando ferramentas que garantam transparência e conformidade regulatória. Além disso, monitorar tendências globais e antecipar-se às regulações permitirá que as empresas utilizem a IA de forma responsável e sustentável.

O futuro da governança dependerá do equilíbrio dinâmico entre inovação e responsabilidade. As empresas que liderarem essa transformação não apenas conquistarão uma vantagem competitiva, mas também fortalecerão sua credibilidade junto aos stakeholders e ampliarão sua resiliência frente aos desafios emergentes.

Perguntas: seu conselho já está preparado para os desafios da IA em 2025? Como sua empresa está abordando a transparência e a ética no uso da IA?

Fontes:

EY Center for Board Matters. Prioridades dos Conselhos de Administração para 2025 nas Américas: quatro áreas de foco para avançar com confiança. São Paulo: EY Brasil, 2025. Disponível em: https://ey.com.br/governancacorporativa. Acesso em: 1 mar. 2025.

Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa. 6. ed. São Paulo: IBGC, 2023. ISBN 978-65-5515-787-1.

Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Perspectiva dos Conselheiros e Executivos – Ambiente de Negócios e Governança Corporativa. 2. ed. São Paulo: IBGC, 2025. ISBN 978-65-85913-22-5.

Evento discute os desafios da Inteligência Artificial na governança corporativa (FGV EAESP) – https://eaesp.fgv.br/noticias/evento-discute-desafios-inteligencia-artificial-governanca-corporativa . Acesso em: 1 mar. 2025.

Microsoft cria comitê ético de IA no Brasil – https://www.mobiletime.com.br/noticias/24/03/2020/microsoft-cria-comite-etico-de-ia-no-brasil/ . Acesso em: 1 mar. 2025.

As 5 principais tendências de IA que você precisa conhecer em 2025 – https://www.flane.com.pa/blog/pt/as-5-principais-tendencias-de-ia-que-voce-precisa-conhecer-em-2025/ . Acesso em: 1 mar. 2025.

Como o JPMorgan quer usar a Inteligência Artificial no mercado financeiro – https://www.bloomberglinea.com.br/mercados/como-o-jpmorgan-quer-usar-a-inteligencia-artificial-no-mercado-financeiro/ . Acesso em: 1 mar. 2025.

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